Moraes determina investigação sobre conteúdo encontrado no celular de Wassef

 

Moraes determina investigação sobre conteúdo encontrado no celular de Wassef

Material apreendido durante investigação do caso das joias sauditas será apurado em procedimento à parte
02/07/2026 - https://iclnoticias.com.br

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma investigação sigilosa para apurar informações encontradas no celular do advogado Frederick Wassef durante as investigações sobre o caso das joias sauditas.

Na decisão, assinada nesta terça-feira (30), Moraes concedeu prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os elementos identificados pela Polícia Federal e as possíveis hipóteses de crimes apontadas pelos investigadores.

A nova apuração será conduzida separadamente do inquérito das joias. O desmembramento atende a um pedido da Polícia Federal, com concordância da PGR, que entendeu que os fatos encontrados no aparelho de Wassef não têm relação direta com a investigação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão do ministro foi tomada cerca de quatro meses após a Polícia Federal solicitar a abertura da investigação, em 4 de março. Na mesma data, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento do inquérito que apurava a suposta apropriação, por Bolsonaro, de presentes de luxo recebidos de autoridades estrangeiras durante o mandato.

Segundo a PGR, não existe legislação específica que regulamente a destinação desses presentes, o que impediria a responsabilização criminal do ex-presidente e de seus aliados pelo crime de peculato.

Ao analisar o pedido de arquivamento, Moraes não encerrou o inquérito imediatamente. Em vez disso, determinou que a PGR apresentasse um parecer específico sobre a solicitação da Polícia Federal de investigar o conteúdo encontrado no celular de Wassef.

Em nota, o advogado afirmou que já havia apresentado ao ministro os mesmos argumentos quando veio a público o pedido da PF. Wassef sustenta que a busca e apreensão realizada em seu escritório foi ilegal por ter ocorrido, segundo ele, sem a presença de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o que teria violado suas prerrogativas profissionais.

O advogado também questionou a abertura de uma nova investigação com base em supostos “eventos fortuitos” encontrados em seu aparelho, destacando que o celular foi apreendido há três anos. Segundo Wassef, não há qualquer conteúdo ilícito ou indício de irregularidade que justifique uma nova apuração. “Jamais pratiquei qualquer irregularidade e não existe nada em meus celulares de ilegal ou sequer indícios de ilicitude que justifiquem apuração sem justa causa”, afirmou.

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